Resíduos Sólidos

Aterro Sanitário - Vista Aerea

Localizado na EN 258 ao km 5.33, em Vila Ruiva, concelho de Cuba, tem um volume total de 337063m³, a que corresponde um período de vida de 20 anos, sendo o mais pequeno sistema de resíduos sólidos urbanos do país: 5 concelhos com 26518 habitantes e uma produção anual de 12500 toneladas de resíduos.

Encontra-se em funcionamento desde Junho de 1999, e permitiu a selagem de 16 lixeiras, até meados de 2001, a partir de estudos paisagísticos e de protecção sanitária e ambiental. Trata-se de um aspecto muito importante do ponto de vista da saúde pública, dado o risco de contaminação das águas subterrâneas e de propagação de doenças.

O Aterro Sanitário detém a Licença de Exploração n.º 15/05 de 11 de Julho do Instituto dos Resíduos, estando classificado como Aterro para Resíduos Não Perigosos de Origem Urbana. Assim, foi estabelecido a Lista de Resíduos Admitidos em Aterro, considerando também orientações relativas a fluxos específicos de resíduos.

Ao invés da grande maioria dos Sistemas a AMCAL é a responsável pela gestão exclusiva do Aterro Sanitário e do Centro de Triagem, sendo da responsabilidade dos municípios associados a gestão dos Ecopontos, dos Ecocentros e das Estações de Transferência. De facto, esta realidade resulta de cada município possuir um Ecocentro, e de não existirem Estações de Transferência comuns a vários concelhos.

Parque de Resíduos Recicláveis

O Parque de Resíduos Recicláveis destina-se ao armazenamento temporário de madeiras, embalagens de madeira, pneus usados, pilhas, equipamentos eléctricos e electrónicos, veículos em fim de vida, óleos usados, baterias e lâmpadas. Quaisquer destes resíduos ficarão armazenados durante um curto período de tempo, sem qualquer tipo de tratamento ou desmantelamento, após o que serão expedidos para valorização, em conformidade com o exigido na seguinte legislação:

  • DL 268/98, de 28 de Agosto, e Despacho 24571/2002, de 4 de Novembro (localização de parques de sucatas e licenciamento da instalação e ampliação de depósitos de sucatas);
  • DL 111/2001, de 6 de Abril, e DL 43/2004 de 2 de Março (gestão de pneus usados);
  • DL 230/2004, de 10 de Dezembro (resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos);
  • DL 62/2001, de 19 de Fevereiro (gestão de pilhas e acumuladores usados);
  • DL 196/2003, de 23 de Agosto (veículos em fim e vida);
  • DL 153/2003, de 11 de Julho, e Portaria 240/92 de 25 de Março (óleos usados);

O projecto do Aterro Sanitário data de 1995. Na época não foi prevista a construção de zonas de recepção, armazenamento selectivo e expedição de fluxos específicos de resíduos, tendo sido contemplados apenas o vidro e o papel. As crescentes exigências normativas a este nível, bem como a necessidade de remodelar e ampliar as instalações existentes, no sentido de melhorar a resposta às necessidades dos utentes e as condições de trabalho dos funcionários, tornam a construção do Parque de Resíduos uma obra de grande relevância.

O Parque de Resíduos Recicláveis ocupa uma área de 5 500 m2 e está infra-estruturado e equipado para a receção, armazenamento selectivo e expedição dos seguintes tipos de resíduos:

1 - Veículos em fim de vida

Zona de veículos em situação ilegal (180 m2 - 10 veículos) e zona de veículos em fim de vida (375 m2 - 125 veículos). Os veículos ilegais não reclamados, são transferidos ao fim de algum tempo para a zona de armazenamento de veículos em fim de vida (área pavimentadae descoberta).

2 - Resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos e sucatas

No sentido de dar cumprimento ao disposto no Decreto-lei 20/2002, de 30 de Janeiro, entretanto revogado pelo DL 230/2004 de 10 de Dezembro, foram delimitadas três áreas de armazenamento contíguas: os resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos da categoria 1 (375 m2) e da categoria 2 (125 m2), e área de armazenamento de sucatas (300 m2). Os resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos têm áreas cobertas.

3 - Pilhas e Acumuladores

Edifício de armazenamento com capacidade para duas paletes, com grelhas de ventilação que asseguram o arejamento.

4 - Óleos Usados

Área impermeabilizada e coberta (25 m2) onde estão instalados 5 contentores de 1200 litros, separados consoante o tipo de óleo, para dar cumprimento à Portaria n.º240/92 de 25 de Março.

5 - Pneus Usados

Área de armazenamento pavimentada e descoberta (500 m2), dividida numa zona destinada a pneus industriais, de pesados e tractores (300 m2) e noutra para pneus de ligeiros (200 m2).

6 - Madeira

Área de armazenamento (100 m2) pavimentada, descoberta e limitada, destinada a madeiras provenientes de demolições, troncos de árvores e similares. As paletes ocuparão uma zona específica (15 m2).

Foi ainda prevista uma zona destinada a outros tipos de resíduos, nomeadamente lâmpadas com mercúrio e baterias de automóveis.

Cada uma das zonas acima referidas englobarão uma área de armazenamento, devidamente identificada, e áreas multifuncionais contíguas, genericamente designadas por áreas de movimentação, destinadas às operações de recepção, descarga, movimentação, carga e expedição. As áreas de movimentação são comuns a dois ou mais tipos de resíduos. O acesso das viaturas às áreas de movimentação é efectuado directamente a partir da via de circulação que circunda a instalação.

O equipamento de movimentação adquirido para o funcionamento do Parque de Resíduos é o seguinte:

  • Multicarregadora com capacidade de 10 toneladas/hora, para movimentar qualquer tipo de resíduos;
  • Camião com caixa metálica basculante de 20 m3, para transportar qualquer tipo de resíduos;
  • Empilhador com capacidade de elevação de 1200 Kg, para movimentação e elevação de paletes.

A rede de esgotos encontra-se ligada à ETAL, onde o efluente (de composição idêntica à água residual doméstica) será tratado. O preço-tratamento exigido pelo Decreto-lei n.º 268/98 para o funcionamento de instalações deste tipo, exigiu ainda a instalação de um decantador e separador de hidrocarbonetos.

Esta infra-estrutura representa um passo muito importante no contexto da gestão integrada de resíduos, conferindo maior racionalidade e eficácia ao sistema de resíduos gerido pela AMCAL.

O presente projecto foi aprovado pelo Conselho Directivo da AMCAL em 19 de Maio de 2003 e pela Câmara Municipal de Cuba em 29 de Outubro de 2003.

A Câmara Municipal de Cuba declarou de interesse público o presente projecto em reunião ordinária de 19 de Janeiro de 2005.

A Assembleia Municipal de Cuba declarou o presente projecto de interesse público em reunião extraordinária de 11 de Fevereiro de 2005.

A construção do Parque de Resíduos Recicláveis foi iniciada em Janeiro de 2007 e ficou concluído em Agosto de 2007.

O custo total estima-se em 750 000 euros.

Central de Triagem

A AMCAL tinha um centro de triagem com más condições de funcionamento, motivo pelo qual iniciou em Outubro de 2007 a construção de uma nova Estação de Triagem.

A nova Estação de Triagem destina-se à triagem mecanizada dos seguintes resíduos sólidos de embalagens: papel/cartão, tetra-pack, aço, alumínio e plástico (PET, PEAD, PVC e filme).

Estes resíduos sólidos recicláveis são provenientes dos ecopontos, dos ecocentros e da recolha porta a porta.

A Directiva 94/62, aprovada em 1994, determina que Portugal, Grécia e Irlanda deverão reciclar um mínimo de 25% das embalagens até 2005 e os restantes países até 2001.

Contudo, a recente revisão desta Directiva vem exigir um aumento da taxa mínima de reciclagem de 25% para 55% até 2011 para Portugal, Grécia e Irlanda e até 2008 para os restantes países. As metas de reciclagem por material passam a ser as seguintes:

Materiais Percentagem
Vidro60%
Papel/Cartão60%
Metal50%
Plásticos22,5%
Madeira15%

Fonte: AMCAL

O novo centro de triagem é formado por uma única nave com 1 025 m2 de área útil (1 065 m2 de área bruta).

As obras foram concluídas em Fevereiro de 2008.

O custo total deste projecto atingiu os 800 000 euros.

Estação de Tratamento de Águas Lixiviantes

As águas residuais provenientes dos sanitários, os lixiviados produzidos no aterro e as águas de escorrências e lavagens são encaminhadas para a Estação de Tratamento de águas Lixiviantes (ETAL) que tem uma capacidade de tratamento de 50 m3/dia. As águas resultantes das lavagens de viaturas e rodados, passam por um pré-tratamento através de uma caixa de retenção de óleos e decantação de materiais pesados, antes de serem encaminhadas para a ETAL.

A capacidade de tratamento da ETAL é muito superior à necessária tendo em conta a dimensão do aterro. Optou-se pelo sobredimensionamento da ETAL, devido às características climatológicas da região e consequentemente à grande variabilidade das características quantitativas e qualitativas dos lixiviados.

Descrição Sumária da Estação de Tratamento de Águas Residuias e Lixiviantes (LT1)

À entrada da ETAL o efluente passa por equipamentos que efectuam a medição e registo do caudal e do PH.

Descreve-se de seguida e de forma pormenorizada as várias etapas do sistema de tratamento de águas lixiviantes afluentes à ETAL:

PRÓ-DECANTAÇÃO E HOMOGENIZAÇÃO (pré-decantador / bacia de retenção)
  • A bacia de retenção (VBR) = 620 m3) tem como principal função atenuar os caudais de ponta actuando como tampão aos sistemas biológicos, uma vez que estes são sistemas sensíveis que facilmente são afectados por oscilações verificadas na composição e no caudal dos lixiviados provenientes do aterro. Este sistema ao permitir a homogeneização do efluente garante ainda que o efluente encaminhado para tratamento apresenta aproximadamente as mesmas necessidades de depuração.
  • A bacia de retenção serve ainda para reduzir a quantidade de sólidos em suspensão afluentes às restantes etapas do sistema de tratamento. Os sólidos retidos na bacia de retenção são em quantidades muito reduzidas, pelo que apenas se procede à limpeza deste órgão uma vez por ano (no verão), sendo as lamas removidas (aproximadamente 5 m3/ano de lamas resultantes da limpeza de todos os órgãos) depositadas no aterro.
  • Devido aos elevados tempos de retenção verificados nesta bacia, por se tratar de uma lagoa de armazenamento e sedimentação, parte do lixiviado é evaporado o que reduz a quantidade de lixiviado a tratar mas aumenta a sua concentração.
  • A bacia de retenção possui um sistema de bombagem (bomba 2) que permite escoar o lixiviado para a lagoa anaeróbia, quando não existe caudal suficiente para que esta transferência ocorra por gravidade. Possui ainda uma ligação ao tanque de efluente tratado (descarga de tempestade) que actualmente se encontra desactivada mas que funciona por gravidade.
TRATAMENTO ANAERÓBIO - Lagoa anaeróbia
  • O sistema de tratamento anaeróbio é composto por uma lagoa (VLA = 400 m3). O objectivo principal da introdução de uma lagoa anaeróbia no sistema e tratamento é reduzir as elevadas concentrações de matéria orgânica e metais pesados presentes nas águas lixiviantes.
  • As lagoas anaeróbias caracterizam-se por: elevados tempos de retenção, menor produção de lamas, menor consumo de energia, produção de metano, conversão de azoto orgânico em amónia (o que aumenta a toxicidade do lixiviado) e redução da eficiência de tratamento com a redução da temperatura.
  • A lagoa anaeróbia possui um sistema de bombagem (bomba 3) que permite escoar o lixiviado para a lagoa facultativa quando não existe caudal suficiente para que esta transferência ocorra por gravidade.
TRATAMENTO ANAERÓBIO/AERÓBIO - Lagoa Facultativa
  • O sistema de tratamento facultativo é composto por uma lagoa (VLA = 300 m3) onde ainda existem condições de anaerobiose mas onde também existem condições de aerobiose, pelo que se trata de um sistema de adaptação à fase seguinte do processo de tratamento.
  • A lagoa facultativa possui um sistema de bombagem (bomba 4) que permite escoar o lixiviado, alternadamente, para as 2 lagoas aeróbias, de acordo com o pretendido, quando não existe caudal suficiente para que esta transferência ocorra por gravidade. Possui ainda uma ligação ao tanque de efluente tratado (descarga de tempestade) que funciona por gravidade.
TRATAMENTO AERÓBIO/AREJAMENTO - 2 Lagoas Aeróbias
  • O sistema de tratamento aeróbio é composto por dois tanques (VTA1 = VTA2 = 300 m3) onde se processa a oxidação através do arejamento mecânico prolongado, que é assegurado por arejadores de fundo com uma potência total de 10 kW (1 arejador em cada lagoa). Nestes tanques estão presentes bactérias heterotróficas e autotróficas que estão envolvidas no processo depurativo.
  • Para que o sistema biológico funcione adequadamente é necessário existir oxigénio e nutrientes em quantidades adequadas, razão pela qual se encontram mergulhadas sondas nas lagoas aeróbias que asseguram a medição do nível de oxigénio dissolvido e que garantem que este não fica abaixo de 6mg O2/L, por accionamento automático dos arejadores.
  • As lagoas aeróbias possuem um sistema de bombagem (bomba 5) que permite escoar o lixiviado, de cada uma das lagoas, de acordo com o pretendido, para o decantador, quando não existe caudal suficiente para que esta transferência ocorra por gravidade.

  • Está previsto, num futuro próximo, inserir uma nova etapa no tratamento dos lixiviados, a desnitrificação. Para que a desnitrificação ocorra será necessário passar a recircular o efluente oxidado, proveniente das lagoas aeróbias, para a lagoa anaeróbia onde se adicionará, em virtude dos baixos valores de CBO, uma fonte exterior de carbono (metanol).

DECANTAÇÃO - Decantador
  • Depois do tratamento biológico o efluente passa por um decantador (VD = 52,5 m3) que tem como finalidade separar eventuais partículas que ainda existam em suspensão, no entanto a acumulação de lamas é de tal modo reduzida que apenas são removidas, à semelhança do que acontece com as lamas da bacia de retenção, aquando da limpeza anual (no versão) dos órgãos da ETAL seguindo para deposição no aterro.
  • O decantador possui um sistema de bombagem (bomba 6) que permite escoar o lixiviado para as 2 lagoas de macrófitas quando não existe caudal suficiente para que esta transferência ocorra por gravidade.
CLARIFICAÇÃO - Lagoas de Macrófitas
  • O sistema de clarificação consiste no encaminhamento do efluente para dois leitos de macrófitas, um para receber o escoamento superficial (VLP1 = 330 m3) e outro para receber o escoamento sub-superficial (VLP2 = 540 m3) que por adsorção reduzem de modo significativo, juntamente com os sedimentos, nutrientes (azoto, fósforo, potássio e micronutrientes), metais pesados, pesticidas e outros compostos orgânicos.
  • Estes leitos possuem uma população microbiana muito activa, grande e variada, capaz de se adaptar às mais diversas condiçes ambientais e de transformar bioquimicamente um grande número de poluentes. O facto dos leitos de plantas possuírem uma interface aeróbia/anaeróbia permite que se processe a oxidação biológica dos metais, a decomposição aeróbia e a digestão anaeróbia.
  • O leito de plantas que recebe o escoamento superficial não tem risco de colmatação, e tem como função promover a sedimentação de sólidos em suspensão que não tenham sido removidos no decantador e adsorver iões e moléculas que ainda permaneçam no efluente. Este processo de adsorção é facilitado pelo facto do material de enchimento deste leito ser à base de argilas.
  • O leito de macrófitas que recebe o escoamento sub-superficial apresenta risco de colmatação pelo que o material de enchimento permite uma condutividade hidráulica muito maior. A função deste leito é promover a afinação de todo o tratamento, em termos de remoção de possíveis nutrientes que ainda existam no efluente.
  • O efluente clarificado é encaminhado para tanque de efluente tratado por gravidade, de onde pode ser recirculado para os tanques de arejamento, para reforço do tratamento, ou descarregado para o ponto de descarga na linha de água (EH1).

Fluxograma da Linha de Tratamento (LT1)

Fluxograma da Estação de Tratamento de Águas Lixiviantes

Legenda:

Legenda do Fluxograma da Estação de Tratamento de Águas Lixiviantes

Além dos equipamentos referidos estão ainda 555 difusores de ar, associados ao tratamento, para as condutas de fundo do tanque de oxidação.